segunda-feira, janeiro 30, 2017

Dia da saudade

Tenho saudades de quando eu tinha um gravador colorido e nele cabiam todos os sonhos do mundo. De quando eu passava o dia desenhando uma exposição de quadros de giz de cera pra hora que a minha mãe chegasse! De quando eu acordava cedo, cruzava a cidade, estudava a noite, cruzava de volta e nunca cansava. Saudade de fazer castelos de areia com meu pai, de jogar tamboréu. Saudade de fazer dupla de volei com meu irmão e de quando eu entendia todos os jogos que ele jogava.
Saudade de quando eu comia sem culpa a comida gostosa da minha mãe! De quando eu não conhecia a palavra glúten... E ninguém sabia o que era lactose! Sinto falta das fitas k7 que eu gravava sem parar a minha trilha sonora e rebobinava com a cabeta bic pra economizar a pilha que não era recarregável.
Saudade de quando era dia de casamento e a casa da minha avó ficava cheia de flores de todos os cheiros, na verdade tenho saudade mesmo do abraço da minha avó! Saudade de quando eu jogava bola com os meninos na rua e acreditava que não havia nada que eles fizessem que eu não pudesse fazer.
Saudade de quando tinha outros barulhos na minha casa além dos meus e eu nunca jantava sozinha.
Dos cafés da manhã de domingo com toalha de mesa de bolinhas e passeios no parque. De quando a estrada nunca era solitária.
Saudade do que quero tanto que venha! Que chegue logo!
Hoje ter saudade é quase sinônimo de ansiedade ou de depressão, depende do tipo de saudade.
Enfim, saudade de quando sentir saudade passava porque era só saudade.

Um comentário:

FERNANDA GALEANO disse...

Oi Nádia, amei seu texto...me fez refletir muito sobre as saudades que sinto.