Tenho saudades de quando eu tinha um gravador colorido e nele cabiam todos os sonhos do mundo. De quando eu passava o dia desenhando uma exposição de quadros de giz de cera pra hora que a minha mãe chegasse! De quando eu acordava cedo, cruzava a cidade, estudava a noite, cruzava de volta e nunca cansava. Saudade de fazer castelos de areia com meu pai, de jogar tamboréu. Saudade de fazer dupla de volei com meu irmão e de quando eu entendia todos os jogos que ele jogava.
Saudade de quando eu comia sem culpa a comida gostosa da minha mãe! De quando eu não conhecia a palavra glúten... E ninguém sabia o que era lactose! Sinto falta das fitas k7 que eu gravava sem parar a minha trilha sonora e rebobinava com a cabeta bic pra economizar a pilha que não era recarregável.
Saudade de quando era dia de casamento e a casa da minha avó ficava cheia de flores de todos os cheiros, na verdade tenho saudade mesmo do abraço da minha avó! Saudade de quando eu jogava bola com os meninos na rua e acreditava que não havia nada que eles fizessem que eu não pudesse fazer.
Saudade de quando tinha outros barulhos na minha casa além dos meus e eu nunca jantava sozinha.
Dos cafés da manhã de domingo com toalha de mesa de bolinhas e passeios no parque. De quando a estrada nunca era solitária.
Saudade do que quero tanto que venha! Que chegue logo!
Hoje ter saudade é quase sinônimo de ansiedade ou de depressão, depende do tipo de saudade.
Enfim, saudade de quando sentir saudade passava porque era só saudade.
segunda-feira, janeiro 30, 2017
terça-feira, novembro 01, 2016
Quando comecei a escrever nesse espaço, 12 anos atrás eu era uma menina fascinada com a possibilidade de mandar mensagens ao desconhecido. Lançar minhas garrafas cheias de sentimentos ao mar.
Meu blog virou diário, um espaço público para as minhas intimidades.
Esperança de ao falar com o mundo, me ouvir.
Sempre pensei em mim. Na vontade de transbordar meu entendimento em palavras a medida que a vida chegava. Se alguém lia, deixava ao acaso. Palavras boiando entre as ondas da rede.
E elas navegaram! Encontraram histórias que eu nunca conheci, ganharam outros sentidos, tão parecidos com os meus! E tocaram uma outra menina no interior do Ceará, inexatos milhares de quilometros daqui. Tão perto de mim.
Anatália Nery cresceu junto comigo.
Adolesceu, saiu de casa, entrou na faculdade de fisioterapia, hoje apresenta um programa de TV, ganhou uma bolsa por isso e antes mesmo de se formar virou mestre no que melhor sabe fazer: cuidar das pessoas.
Ela leu e releu cada palavra minha e no balanço do mundo, hoje ela que me encontrou! Me imprimiu de presente de aniversário atrasado que atravessou o Brasil e veio me ver! Enfeitado com bonbons, doce como a amizade deve ser.
Hoje, 12 anos depois da primeira palavra tenho comigo meu primeiro livro!
Que a vida continue surpreendendo a minha menina! Que a sua, minha amiga Anatália Nery: acredite que os sonhos são poderosos como as palavras e que a felicidade é inevitável como a travessia das garrafas! (que sempre encontram o destino, seja qual for o tamanho do mar.)
sexta-feira, outubro 28, 2016
Prisão
É dentro. Queria uma grade, um muro que fosse. Bateria nele com tanta força, que certamente haveria saída.
Alguém quem culpar, um carcereiro serviria. O vazio é que não há.
Sou gaiola de mim e o passarinho me olha cansado. Debruçado na poeira das asas, ele quase diz. Mas nem isso.
Faz frio, faz calor. É noite, dia de novo. Outubro passou e mais um ano de mim.
O que eu quero? Hoje bastava querer.
segunda-feira, outubro 10, 2016
Lá fora, o branco combina comigo. Um sem fim de calma que de repente vira azul. Alta no céu, vejo agora as nuvens de cima. É como olhar pra mim. Só que melhor.
Sou cada pedacinho do tapete felpudo que hoje é meu caminho voador.
É meu aniversário! Dia 10 de outubro e são 36 anos! Sinto que vou lembrar de hoje pra sempre como o dia em que eu fui praticamente só coragem! Esse é o meu presente, deixei minha vontade escolher.
Sabe quando tudo que te trouxe até aqui te sacode de manhã e te diz: é hoje, vai ser feliz!?
É... Tá acontecendo!
Ganhei parabéns da aeromoça! Quase perguntei como ela sabia, mas preferi imaginar que é mais um presente mágico, recado do universo! (E como me ama esse universo!)
Quero mais, guardar meu hoje como o dia em que entendi que eu escolho o próximo passo. E que é indo que se vai onde se quer.
O medo é cinto de segurança, vai com a gente. Não dá pra esperar ele passar. Ele é parte da gente.
Acontece que a coragem agarrou no controle e agora o medo existe, mas é bem menor.
Coragem, medinho e eu. É assim que se faz história. A minha história...
segunda-feira, novembro 03, 2014
Sentir alegria
São tantos os sentimentos vivos. Nascemos aos berros já buscando por eles. Desejamos cuidado, carinho. Nossa necessidade de respeito cresce junto com a gente. Adolescemos de urgência por sentir. Queremos a vida aos goles, aos litros e ela amadurece, nos amadurece. Nossos desejos não. Seguem infantis como nós. Querem ser amados, desejados. Querem juras de amor, depois de eternidade e sempre haverá o que desejar.
Na ansia de querer o tanto que se quer, buscamos. Não sabemos onde. Nem exato o quê. Sabemos que queremos, aquilo que nunca se teve. Aquilo que tanto se quer.
O prazer. O sucesso. As certezas.
Comemoro com cada poro meu encontro com eles. Me realizo com cada sentimento.
Recentemente descobri a alegria. Redescoberta. Me apaixonei inteira por ela. Feliz. Com a experiência de quem suspira, afirmo com o entusiasmo do meu eterno desejo: ainda melhor que amar é também sentir alegria por alguém.
Na ansia de querer o tanto que se quer, buscamos. Não sabemos onde. Nem exato o quê. Sabemos que queremos, aquilo que nunca se teve. Aquilo que tanto se quer.
O prazer. O sucesso. As certezas.
Comemoro com cada poro meu encontro com eles. Me realizo com cada sentimento.
Recentemente descobri a alegria. Redescoberta. Me apaixonei inteira por ela. Feliz. Com a experiência de quem suspira, afirmo com o entusiasmo do meu eterno desejo: ainda melhor que amar é também sentir alegria por alguém.
segunda-feira, julho 14, 2014
Sou repórter não muito convencional, do tipo que odeia notícias ruins. Acabo de saber da morte de Vange Leonel,
fiquei triste, mas só decidi escrever porque quero compartilhar não
lamento, mas gratidão. Confuso, né? Para quem não conhece, Vange é a
cantora que emplacou, o hit “Noite Preta” da novela Vamp, eu prefiro
pensar que ela é mais uma mulher corajosa. Num país, onde as brasileiras
ainda ganham em média ¼ a menos que os homens e morrem mais do que na
maioria dos lugares do mundo, vítimas da violência de seus próprios
parceiros, Vange ousou ser feminista. Mais do que isso, Vange foi o que
é. Se hoje, nós brasileiras podemos ter pelo menos a impressão de que
vivemos numa sociedade mais igual; se podemos esperar com naturalidade
não só pelo beijo, mas pelo casamento gay num fim de novela; se temos
uma presidente mulher, e podemos inclusive vaiá-la é porque mulheres
como a Vange souberam dizer o que pensam. Morte, não. Viva ela e todas
nós!
terça-feira, novembro 19, 2013
MOSCA NO AVIÃO
Dentro do avião, o zunido me acorda. Estou sonolenta, uma
mosca passa razante, bate no vidro, me sacode da cadeira. Volta. Me contorna e
estou agora com toda a energia desviando dela.
Já estamos no ar há mais de uma hora. Em mais trinta
minutos estarei em casa. E a mosca?
A essa altura, literalmente não a vejo mais. Certamente
está acordando outra pessoa, pois não há comida no vôo. Sei que no momento ela
se foi. Isso me basta. Ainda assim, continuamos aqui: eu e a mosca.
Olho a janela, a luz que a seduziu continua lá. Se não
fosse a mosca, eu certamente estaria dormindo e não a teria percebido.
Pena não poder abrir a janela. Seria a liberdade da
mosca!
Sinto a ausência dela e me surpreendo solidária. Solitária. Mas janelas
de aviões não se abrem. Abro-me eu então ao olhar a janela. Penso na vantagem
que tenho, sobre quem me tirou o sossego: afinal ao contrário das moscas sei
que janelas de avião não abrem e estou livre de bater a cabeça.
Curioso imaginar o tanto que uma visita tão rápida e
insignificante me faz pensar. Já se foram 15 minutos. Estou agora preocupada
com ela, a mosca. Estaria o bichinho fugindo de um tabefe, ou simplesmente
distraído com a paisagem. Não, a contemplação não é da natureza das moscas.
Elas voam incansáveis até nos tirarem o sossego.
O vôo vai terminar a qualquer momento e nada da danada.
Espero que ela esteja bem, afinal por causa dela estou aqui. (Imagine, se Kafta
tivesse conhecido a minha mosca!) Me espanto comigo. Sinto gratidão por quem me
acordou. Ela não aparece, mesmo assim seguimos voando, as duas.
A coragem dela me inspira. Lembro da vontade daquele
inseto de ser livre. Toda, inteira tomada por um desejo selvagem de ganhar o
mundo e eu ali, estática, dormindo.
Pousamos.
Despeço-me da ansiedade de vê-la. Não se faz mais
preciso. Sem saída, agora dentro de mim, a mosca me mostra o caminho.
quinta-feira, outubro 10, 2013
Normalmente escrevo para organizar meus pensamentos, hoje faço isso por gratidão. Comemorar a vida é agradecer. Amo fazer aniversário. Sempre foi assim. Gosto da expectativa da data, do dia que literalmente corre cheio de demonstrações de afeto esperadas e inusitadas. Esses são os dias ideais para se surpreender com a forma de amar das pessoas.
Hoje ganhei mais um desses presentes. O dia começou cedo, amanheceu colorido. Pude até ver o sol entardecer, do estacionamento do trabalho. Recebi carinho e amor de todas as formas. Comemoro feliz mais um ano do jeito que eu mais gosto, agradecendo.
terça-feira, outubro 08, 2013
UM MUNDO MEU
Há mais de um ano eu não escrevia. Estive pelo mundo, pelas casas, encontrei muitas vidas, andei pelas ruas, as que inventei e as que conheci. Viajei por mim mesma, também por aí, mas hoje voltei. Quem como eu se busca, sabe a diferença entre morar num lugar e se sentir em casa.
Há exatos 3 anos, eu não me sentia assim. Já fiz nove mudanças de endereço, mas sabia que a décima seria especial. Urgente, ao mesmo tempo demorada. Do tipo fundamental.
Ontem, depois de meses de paciência abri FELIZmente a porta de casa. Entrei, me deitei sobre o tapete da sala e agradeci aos céus. Me entreguei ao fluxo de energia do universo e me vi naquela hora onde eu deveria estar, precisamente no lugar. Meu lugar.
De pronto, senti toda aquela espera escorrer da memória cansada, junto com minhas pernas que já se apoiavam na busca de conforto. A ansiedade que me perseguiu por anos se calou do lado de fora da janela, a essa altura fechada. Me olhava de longe, com olhos tranquilos.
Todas as cobranças severas a mim, feitas por mim mesma também não estavam lá comigo. Naquele instante em que respirava feliz no tapete fomos apenas eu e minha felicidade interior. Uma dupla que se afinava em tempo real diante da sinfonia de músculos e nervos enfim relaxados.
Hoje, me senti em casa pela primeira vez de manhã. Dei os passos encantada com meu próprio barulho e é impressionante como qualquer ruído é diferente, principalmente num lugar novo ao começar do dia. Foi como se eu me reconhecesse na liberdade da ainda falta de rotina. Cozinha, sala, quarto, banheiro, cada cômodo se transformava diante de mim em um sem fim de possibilidades. As regras finalmente eram as minhas e o mundo meu.
sexta-feira, março 30, 2012
Vida que é arte
Ela definitivamente faz arte! É dela esse lindo mosaico e repare em como as peças foram todas cortadas uma por uma, claro por ela.
Mas tem mais. Ela pinta meus dias com tons coloridos. Faz de mim escultura de amor, com seus fortes abraços.Compõe a música que embala a criança, que ela ajudou a virar mulher.
Falo da minha Marmita, apelido carinhoso da minha mãe talentosa!
E olha que ela sempre se achou um patinho feio, daqueles que não levam muito jeito com as coisas. E ela dá jeito é pra tudo!
Olhando o talento dela com as pedras. Sua delicadeza incansável na construção dos desenhos, penso que são as peças da própria vida que ela compõe no mosaico.
Risos arrendodados, desafios pontudos, sóis e estrelas a brilhar numa colcha multicor que ora é apoio, ora virada de mesa.
Obras da mais natural das artes: a de viver e ela vive!
Assim admirando teu brilho também monto meu mosaico.
Sem um alicate capaz de cortar as palavras na medida pra te compor essa homenagem, minhas frases soltas são como pequenas peças, rejuntadas pelo amor que dou e que recebo dela.
Mas tem mais. Ela pinta meus dias com tons coloridos. Faz de mim escultura de amor, com seus fortes abraços.Compõe a música que embala a criança, que ela ajudou a virar mulher.
Falo da minha Marmita, apelido carinhoso da minha mãe talentosa!
E olha que ela sempre se achou um patinho feio, daqueles que não levam muito jeito com as coisas. E ela dá jeito é pra tudo!
Olhando o talento dela com as pedras. Sua delicadeza incansável na construção dos desenhos, penso que são as peças da própria vida que ela compõe no mosaico.
Risos arrendodados, desafios pontudos, sóis e estrelas a brilhar numa colcha multicor que ora é apoio, ora virada de mesa.
Obras da mais natural das artes: a de viver e ela vive!
Assim admirando teu brilho também monto meu mosaico.
Sem um alicate capaz de cortar as palavras na medida pra te compor essa homenagem, minhas frases soltas são como pequenas peças, rejuntadas pelo amor que dou e que recebo dela.
segunda-feira, março 19, 2012
Aprendendo com SÃO JOSĖ
É fascinante como as mensagens do universo nos encontram, quando estamos abertos a recebê-las.
Hoje foi assim. No dia de SÃO JOSÉ aprendi sábias lições com ele.
O santo protetor dos trabalhadores, da família e dos artesãos, quis o destino que se tornasse também um padroeiro da minha história profissional mais recente.
Como todos os seus devotos, fiz promessa e sorteio de frutas. SÃO JOSÉ me foi genoroso. Troquei um pedido de graça, por um ano sem comer cajá. Com esse sorteio, de um jeito quase natural, aprendi que nem sempre precisamos de grandes privações, mas sim de merecimento pra realizar nossos projetos. E de certa forma, sinto que ele sabe que pode esperar isso de mim.
No fim do dia, mais uma lição imensa: ao receber uma notícia totalmente inesperada, antes de questionar furiosa o porque daquilo, lembrei da história pessoal de SÃO JOSÉ. Ao ser comunicado de que sua esposa MARIA, seria mãe do filho de DEUS, em vez de revoltar-se, SÃO JOSÉ acolheu a notícia, aceitou a informação que recebeu e foi brilhante em sua missão!
De vez em quando, precisamos dessa fé. Da certeza calma e lúcida em nosso coração de que existe um plano maior que faz tudo fazer sentido em nossas vidas.
Cabe a nós, carpinteiros dos nossos sonhos, trabalhar muito, mas também saber reconhecer quando as dádivas nos chegam camufladas de notícias inesperadas.
Hoje foi assim. No dia de SÃO JOSÉ aprendi sábias lições com ele.
O santo protetor dos trabalhadores, da família e dos artesãos, quis o destino que se tornasse também um padroeiro da minha história profissional mais recente.
Como todos os seus devotos, fiz promessa e sorteio de frutas. SÃO JOSÉ me foi genoroso. Troquei um pedido de graça, por um ano sem comer cajá. Com esse sorteio, de um jeito quase natural, aprendi que nem sempre precisamos de grandes privações, mas sim de merecimento pra realizar nossos projetos. E de certa forma, sinto que ele sabe que pode esperar isso de mim.
No fim do dia, mais uma lição imensa: ao receber uma notícia totalmente inesperada, antes de questionar furiosa o porque daquilo, lembrei da história pessoal de SÃO JOSÉ. Ao ser comunicado de que sua esposa MARIA, seria mãe do filho de DEUS, em vez de revoltar-se, SÃO JOSÉ acolheu a notícia, aceitou a informação que recebeu e foi brilhante em sua missão!
De vez em quando, precisamos dessa fé. Da certeza calma e lúcida em nosso coração de que existe um plano maior que faz tudo fazer sentido em nossas vidas.
Cabe a nós, carpinteiros dos nossos sonhos, trabalhar muito, mas também saber reconhecer quando as dádivas nos chegam camufladas de notícias inesperadas.
quarta-feira, setembro 22, 2010
Meus dias de ócio tem me deixado inspirada...
Talvez pela quantidade de horas absolutamante livres de qualquer responsabilidade, ou ainda pela falta de costume ao silêncio longo, recheado apenas do barulho do mar, da conversa sempre bem vinda da minha mãe e dos gritos de estranhos, nem tão bem vindos assim... (Gente que fala alto, na maioria das vezes precisa de atenção, mas nem sempre tem muita coissa interessante a dizer.)
Ignoro a última parte, até porque a semana a beira mar anda leve e quase perfeita. Sigo na tentativa de usar essa súbita inspiração matinal. Quero escrever, mas escrever sobre o quê?
Corro pro mar e vem a resposta. Quero falar da felicidade simples que é ficar molhada na praia.
Na beiradinha, especialmente em dias quentes como hoje a água é tão fria! Muitos se acovardam e fogem. Eu teimo em ser corajosa. Penso sempre na sensação final. O mergulho completo, o desafio a mim mesma. Vem o disparo e o choque. Uma quase dor inicial, mas assim que subo da onda sou nova!
É quando paro de sentir frio, paro de sentir medo.
Até que o corpo seque sigo com essa certeza molhada de que posso tudo!
Eis a magia da praia!
Quisera que fosse sempre simples assim: que quando a coragem escorresse, bastasse um novo mergulho.
Ignoro a última parte, até porque a semana a beira mar anda leve e quase perfeita. Sigo na tentativa de usar essa súbita inspiração matinal. Quero escrever, mas escrever sobre o quê?
Corro pro mar e vem a resposta. Quero falar da felicidade simples que é ficar molhada na praia.
Na beiradinha, especialmente em dias quentes como hoje a água é tão fria! Muitos se acovardam e fogem. Eu teimo em ser corajosa. Penso sempre na sensação final. O mergulho completo, o desafio a mim mesma. Vem o disparo e o choque. Uma quase dor inicial, mas assim que subo da onda sou nova!
É quando paro de sentir frio, paro de sentir medo.
Até que o corpo seque sigo com essa certeza molhada de que posso tudo!
Eis a magia da praia!
Quisera que fosse sempre simples assim: que quando a coragem escorresse, bastasse um novo mergulho.
quarta-feira, setembro 08, 2010
TUDO É SÓ ISSO
Meu pai há um bom tempo não tem merecido muitas homenagens.
Desde que meus pais se separam, uns 10 anos atrás temos nos afastado com muita velocidade.
Nessa mágica às avessas em que um herói perde aos poucos seus superpoderes, temos nos perdido também; ainda que nunca tenhamos desistido um do outro.
No começo assumi um compromisso comigo mesmo de ligar pra ele todos os dias. E ligava. E insisti por anos nessa rotina que nos mantinha mais próximos.
Com o passar dos anos os telefonemas foram rareando. Viraram semanais, hoje faz um mês que não nos falamos e ele me ligou. Inesperadamente meu pai me ligou.
Ele não disse que sentia minha falta, não me cobrou atenção. Não com palavras, mas mesmo com seu jeito durão e conversando sobre cervejas e churrasco, a surpresa da presença dele me derreteu por dentro.
Meu pai tem uma teoria que diz que ele se afastou pra que eu me acostumasse a viver sem ele.
Sempre pensei que isso fosse uma idéia sem sentido, desculpa esfarrapada pra quem anda dando muita cabeçada e não consegue cuidar do que mais importa.
Talvez ele esteja certo.
Dizer o que meu pai é hoje pra mim é difícil. Não saberia dizer.
Sei que até uns 20 anos ele foi o cara pra mim! Me arrastava pela sala no tapete voador da colcha estampada, brincava todas as noites comigo e com o meu irmão, construia com a gente os castelos de areia mais lindos do mundo e de certa forma vivemos em um deles boa parte da vida.
A maré subiu. As torres que ele nos ensinou a fazer com tanta paciência ruíram aos poucos.
Nos separamos e com a dor de quem vê a água entrando pelas janelas e arrastando tudo, aprendi a construir alicerces mais fortes.
Viemos eu e meu mano morar no caminho, mas longe da praia. Minha mãe também veio. É nossa vizinha. Enquanto isso, os castelos do meu pai, ainda que vazios de nós ainda seguem de areia.
Toda vez que a água vem, ele tenta driblar a maré. Se afasta um pouquinho das ondas, mas continua na areia.
Hoje, mesmo depois de tantas desconstruções ainda vejo nele, meu pai de menina: brincalhão, sonhador, pescador de peixes grandes, idéias simples. Um homem incansável e quase insuportavelmente otimista, o tempo todo.
Os anos tiraram dele a perfeição, muitos castelos e a proximidade de nós.
Mesmo assim, sempre que vejo ele sentado na areia, ainda que apenas do outro lado da linha, tenho vontade de esquecer que cresci e correr, pular no pescoço dele. Dizer pendurada num abraço o quanto os erros e a alegria dele são responsáveis pela mulher que tenho orgulho de ser.
Desde que meus pais se separam, uns 10 anos atrás temos nos afastado com muita velocidade.
Nessa mágica às avessas em que um herói perde aos poucos seus superpoderes, temos nos perdido também; ainda que nunca tenhamos desistido um do outro.
No começo assumi um compromisso comigo mesmo de ligar pra ele todos os dias. E ligava. E insisti por anos nessa rotina que nos mantinha mais próximos.
Com o passar dos anos os telefonemas foram rareando. Viraram semanais, hoje faz um mês que não nos falamos e ele me ligou. Inesperadamente meu pai me ligou.
Ele não disse que sentia minha falta, não me cobrou atenção. Não com palavras, mas mesmo com seu jeito durão e conversando sobre cervejas e churrasco, a surpresa da presença dele me derreteu por dentro.
Meu pai tem uma teoria que diz que ele se afastou pra que eu me acostumasse a viver sem ele.
Sempre pensei que isso fosse uma idéia sem sentido, desculpa esfarrapada pra quem anda dando muita cabeçada e não consegue cuidar do que mais importa.
Talvez ele esteja certo.
Dizer o que meu pai é hoje pra mim é difícil. Não saberia dizer.
Sei que até uns 20 anos ele foi o cara pra mim! Me arrastava pela sala no tapete voador da colcha estampada, brincava todas as noites comigo e com o meu irmão, construia com a gente os castelos de areia mais lindos do mundo e de certa forma vivemos em um deles boa parte da vida.
A maré subiu. As torres que ele nos ensinou a fazer com tanta paciência ruíram aos poucos.
Nos separamos e com a dor de quem vê a água entrando pelas janelas e arrastando tudo, aprendi a construir alicerces mais fortes.
Viemos eu e meu mano morar no caminho, mas longe da praia. Minha mãe também veio. É nossa vizinha. Enquanto isso, os castelos do meu pai, ainda que vazios de nós ainda seguem de areia.
Toda vez que a água vem, ele tenta driblar a maré. Se afasta um pouquinho das ondas, mas continua na areia.
Hoje, mesmo depois de tantas desconstruções ainda vejo nele, meu pai de menina: brincalhão, sonhador, pescador de peixes grandes, idéias simples. Um homem incansável e quase insuportavelmente otimista, o tempo todo.
Os anos tiraram dele a perfeição, muitos castelos e a proximidade de nós.
Mesmo assim, sempre que vejo ele sentado na areia, ainda que apenas do outro lado da linha, tenho vontade de esquecer que cresci e correr, pular no pescoço dele. Dizer pendurada num abraço o quanto os erros e a alegria dele são responsáveis pela mulher que tenho orgulho de ser.
quarta-feira, agosto 04, 2010
a ilha PEQUENITA
Ela reinava absoluta na porta da casinha pau-a-pique. De lá estranhou nossa chegada. Correu pra dentro. Sumiu do meu alcance. Só consegui desarmá-la com o argumento que justificava a visita. Disse que tinha vindo de muito longe em busca de tempo: um único dia.
Pequenita estranhou o pedido esquisito, afinal tempo era o que ela mais tinha. Há anos, talvez desde sempre sobravam-lhe as horas.
Mesmo desconfiada daquela jovem, que era eu, PEQUENITA liberou as fronteiras. Me guiou por um mundo cercado pelo Rio São Francisco sem relógio e sem eletricidade, onde ironicamente tudo só acontece se realmente for necessário e na hora certa.
Deu fome, fomos pra canoa. A escolha da natureza, pescamos piranhas.
Era o que tinha e foi o que nos satisfez. Cozinhamos o peixe na água do rio, pinicamos, sim pq pinicar é preciso e ajuda a diminuir o risco de engasgar com os espinhos. PINICAR... Um verbo quase intraduzível que aprendi a conjugar na marra e na ponta da faca afiada. Sob o olhar atento de PEQUENITA, que se ria toda de minha inexperiência, e a essa altura me dava o primeiro sinal de afeição.
Quanto a mim? Como não se apegar àquela mulher? E como me apegaria nas próximas horas!
PEQUENITA tomou banho de rio, de vestido e tudo. Sem vergonha de mim, ou da câmera. E assim, sem pudor de viver como se deve me mostrou como se vive.
Pilão Arcada foi abandonada há mais de 30 anos, mas está tudo lá. Foram horas de caminhada pelas ruínas de uma cidade que desde então é toda dela. A igreja, as ruas, o que sobrou das casas, o vazio ganhava forma na medida da memória e da Imaginação Pequenita.
O pôr do sol no cruzeiro, no ponto mais alto do que um dia foi cidade me deu a dimensão da ilha. Uma benção divina traduzida na oração da rainha desse pedaço de Brasil, que naquele momento certamente ao pedir por ela, agradecia por nós. Aquela melodia mágica, de joelhos ajudava a explicar pra DEUS o que palavra nenhuma é capaz de dizer.
quarta-feira, junho 30, 2010
OS FILHOS QUE NÃO SÃO NOSSOS
Sabe quando um filho fica doente, ou mesmo passa por alguma tristeza? Quando a dor dói tanto no outro que você pensa num jeito de evitar que machuque de todo jeito?
Pois é, ainda não tenho filhos, mas acho que conheci esse sentimento.
Quando precisei visitar, testemunhar e traduzir o sofrimento de Alagoas depois da cheia, meu coração teve dois impulsos. O primeiro foi o de doer muito, a dor que doía neles.
Depois, quase que imediatamente veio a resignação - a mesma de um pai que sabe que não pode tomar a dor de um filho. Seria a dor roubada uma dor inútil e o peso do roubo insuportável.
Depois, quase que imediatamente veio a resignação - a mesma de um pai que sabe que não pode tomar a dor de um filho. Seria a dor roubada uma dor inútil e o peso do roubo insuportável.
Entre os flagelados da cheia do sertão havia desespero sim, mas também muita força.
Tanta que na viagem de volta, as ruínas não me assombram. Nem o choro, nem a chuva, nem a miséria.
Os sorrisos, a alegria pura que só é possível quando nada se tem, mesmo que tudo se perca - essa sim viaja comigo.
Impotente como quem cresce, volto pra casa orgulhosa dos filhos que não são meus.
sexta-feira, junho 18, 2010
A VIAGEM DE SARAMAGO
Assim que soube da partida de Saramago, procurei por ele.
Saramago não estava. Nem nos sites, nem nas notícias.
As manchetes que li e foram muitas falavam de um escritor, de um homem premiado, um Nobel de literatura.
Páginas e páginas vazias de qualquer ensaio sobre o que esse homem realmente é.
Queria encontrar o José Saramago que antes de morrer, viveu.
Fez isso em muitos lugares, especialmente numa ilha. E Canárias, mais que um endereço foi ninho.
Isso não está nas manchetes fúnebres, desinteressantes. Assim como José não está nelas e por isso escrevo.
Não pra me despedir, porque não nos depedimos de quem não morre.
Escrevo pra encontrar um amigo. Alguém que nunca me viu e que tanto me conhece.
Falo do José de Pillar que descobriu o amor depois dos 60 e viveu quase 27 anos enamorado.
Do rapaz português que nasceu numa vila e aprendeu a ler sozinho pra provocar o mundo. Me provocar.
Busquei e busquei palavras a altura de quem tanto me abriu os olhos, me desenvagelizou.
Aqui estão elas, poucas, orgulhosas e agradecidas.
Simples como o jeito que ele me conquistou.
Eternas porque quem escreve não morre.
Como ousadia, peço a ele emprestadas suas palavras escritas ainda hoje, pouco antes da partida.
Não são as últimas, porque pra quem lê, tem sempre o poder de serem as primeiras.
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma".
Saramago não estava. Nem nos sites, nem nas notícias.
As manchetes que li e foram muitas falavam de um escritor, de um homem premiado, um Nobel de literatura.
Páginas e páginas vazias de qualquer ensaio sobre o que esse homem realmente é.
Queria encontrar o José Saramago que antes de morrer, viveu.
Fez isso em muitos lugares, especialmente numa ilha. E Canárias, mais que um endereço foi ninho.
Isso não está nas manchetes fúnebres, desinteressantes. Assim como José não está nelas e por isso escrevo.
Não pra me despedir, porque não nos depedimos de quem não morre.
Escrevo pra encontrar um amigo. Alguém que nunca me viu e que tanto me conhece.
Falo do José de Pillar que descobriu o amor depois dos 60 e viveu quase 27 anos enamorado.
Do rapaz português que nasceu numa vila e aprendeu a ler sozinho pra provocar o mundo. Me provocar.
Busquei e busquei palavras a altura de quem tanto me abriu os olhos, me desenvagelizou.
Aqui estão elas, poucas, orgulhosas e agradecidas.
Simples como o jeito que ele me conquistou.
Eternas porque quem escreve não morre.
Como ousadia, peço a ele emprestadas suas palavras escritas ainda hoje, pouco antes da partida.
Não são as últimas, porque pra quem lê, tem sempre o poder de serem as primeiras.
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma".
sábado, abril 03, 2010
Uma mensagem
Acabo de assisitir ao filme de Chico Xavier.
Isso mesmo, coincidência, ou não foi no dia 2 de abril. Aniversário dele.
Recebi uma lição de amor. Eu e um cinema inteiro de gente encantada com o poder do amor.
Fico pensando no tamanho da ansiedade de tantas almas procurando seu ouvido, alguns instantes de lápis e papel.
Quando a vida acaba, ou melhor quando cada vida acaba, por mais longa que seja deve mesmo dar uma sensação de quero mais. Um minuto que seja, um recado, uma palavra não dita.
São tantas as horas, os dias e os anos vividos e pronto, sempre falta aquela oportunidade.
Sei que nunca será o bastante, mas costumo dizer eu te amo todos os dias.
De tanto que eu falo essas e outras palavras talvez nem soem mais importantes.
Sigo dizendo ainda que assim.
O desprendimento de Chico Xavier foi tão grande na missão de distribuir a paz, que ele mesmo conta que nunca teve.
Ele viveu como um surdo que empresta os ouvidos pra quem nunca escutou uma bela música, ora foi
cego, que dá os próprios olhos pra quem ainda que são e de óculos vivia longe da luz.
Estou tímida, nesse teclado que não é sequer esboço de papel e lápis.
Admirada por todas as vidas tocadas por ele, escritas e eternas, todas em busca da grande MENSAGEM.
Isso mesmo, coincidência, ou não foi no dia 2 de abril. Aniversário dele.
Recebi uma lição de amor. Eu e um cinema inteiro de gente encantada com o poder do amor.
Fico pensando no tamanho da ansiedade de tantas almas procurando seu ouvido, alguns instantes de lápis e papel.
Quando a vida acaba, ou melhor quando cada vida acaba, por mais longa que seja deve mesmo dar uma sensação de quero mais. Um minuto que seja, um recado, uma palavra não dita.
São tantas as horas, os dias e os anos vividos e pronto, sempre falta aquela oportunidade.
Sei que nunca será o bastante, mas costumo dizer eu te amo todos os dias.
De tanto que eu falo essas e outras palavras talvez nem soem mais importantes.
Sigo dizendo ainda que assim.
O desprendimento de Chico Xavier foi tão grande na missão de distribuir a paz, que ele mesmo conta que nunca teve.
Ele viveu como um surdo que empresta os ouvidos pra quem nunca escutou uma bela música, ora foi
cego, que dá os próprios olhos pra quem ainda que são e de óculos vivia longe da luz.
Estou tímida, nesse teclado que não é sequer esboço de papel e lápis.
Admirada por todas as vidas tocadas por ele, escritas e eternas, todas em busca da grande MENSAGEM.
sábado, fevereiro 06, 2010
30 Minutos
As hélices ligadas sacodem o bloco, a página e eu.
Faz sol, já estamos em Bauru e o destino é Araçatuba.
Seis anos depois ir não é como voltar.
O assento a direita está vazio, mas nele viaja uma jovem. A mesma que cruzou o estado sete anos atrás, leve de mochila nas costas, com todos os sonhos do mundo.
Nos olhamos nos olhos. Ela encara humilde meu orgulho, que é dela. Ele me transborda.
Com a simplicidade que também é minha viajamos juntas.
Como medir a coragem que já se teve?
Nada me dói. Antes na estrada, hoje no céu, já somos vitória.
Sou cada memória dela, ela é toda minha esperança.
A 30 minutos de rever o começo, nos damos as mãos.
Mais que isso, ela viaja agora dentro de mim.
Somos sonhos, voz e asas. Somos gratidão.
Faz sol, já estamos em Bauru e o destino é Araçatuba.
Seis anos depois ir não é como voltar.
O assento a direita está vazio, mas nele viaja uma jovem. A mesma que cruzou o estado sete anos atrás, leve de mochila nas costas, com todos os sonhos do mundo.
Nos olhamos nos olhos. Ela encara humilde meu orgulho, que é dela. Ele me transborda.
Com a simplicidade que também é minha viajamos juntas.
Como medir a coragem que já se teve?
Nada me dói. Antes na estrada, hoje no céu, já somos vitória.
Sou cada memória dela, ela é toda minha esperança.
A 30 minutos de rever o começo, nos damos as mãos.
Mais que isso, ela viaja agora dentro de mim.
Somos sonhos, voz e asas. Somos gratidão.
quinta-feira, agosto 13, 2009
IPÊ AMARELO

É inverno e a maioria das flores está calada. Os galhos nus, tímidos. As folhas no chão, entregues ao vento.
Não todas, algumas árvores são resistência. Pelo menos a minha preferida é.
Ela tem nome de cor, Ipê Amarelo.
Não tem medo do frio.
Como tudo que surpreende, é vida que brota dos galhos quando menos se espera. Vida dourada que se equilibra quase planando de tão leve entre as copas.
Contagiante, mágica.
Sim, porque além da beleza guarda um poder especial: minha avó me ensinou que ela realiza desejos!!
Acredito tanto nisso!!! Cada Ipê é um convite pra um sonho.
Aprendi que quem abraça uma árvore florida e divide com ela uma vontade da alma - daquelas bem verdadeiras - realiza o que pede.
E mais, meu Ipê é tão generoso que entende a pressa do dia-a-dia e aceita pedidos feitos de longe, ainda que só com a intenção do abraço.
Ele quer ser visto! Notado. Quer dividir com quem percebe suas cores que sempre é tempo de florir, ainda que faça frio.
Seu encanto é breve. Me inspira, avassala.
Ainda na primavera as flores se vão. Deixam os galhos vazios de seu brilho amarelo, anônimos, quase imperceptíveis durante o verão e o outono.
Tranquilos eles dormem, até que a nova vida dourada de sonhos ouse novamente com sua magia contrariar o inverno.
domingo, junho 21, 2009
Reforma

Esse caderno amanheceu com mais linhas.
Passei a noite relendo arquivos. Revivendo textos.
Passei a noite relendo arquivos. Revivendo textos.
Publiquei lembranças quase esquecidas. Autocensuras egoístas.
Meu blog é coisa simples, lugar de despejar sensações.
Cada post tem milhares sentidos, marca um lugar no tempo. Tem pra mim o valor da memória.
Quando leio me desloco. Quem me lê também.
Só a sabedoria ingenua do não saber abre as portas.
Engatinho.
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